Olho por olho , e o mundo ficará cego .











Mahatma Gandhi








Saber


Vi _Ver .



Friday, April 13, 2012

Alfazema























Que vens contar-me
se não sei ouvir senão o silêncio 
?



Estou parado no mundo.
Só sei escutar de longe
antigamente ou lá para o futuro.
É bem certo que existo  . . .
Chegou-me a vez de escutar.
Que queres que te diga
se não sei nada e desaprendo ?
A minha paz é ignorar.
Aprendo a não saber . . .
Que a ciência aprenda comigo
já que não soube ensinar.


O meu alimento é o silêncio do mundo
que fica no alto das montanhas
e não desce à cidade
e sobe às nuvens que andam à procura de forma
antes de desaparecer.


Para que queres que te apareça
se me agrada não ter horas a toda a hora ?
A preguiça do céu entrou comigo
e prescindo da realidade como ela prescinde de mim.
Para que me lastimas
se este é o meu auge ?!


Eu tive a dita de me terem roubado tudo
menos a minha torre de marfim.
Jamais os invasores levaram consigo as nossas
torres de marfim.
Levaram-me o orgulho todo
deixaram-me a memória envenenada
e intacta a torre de marfim.


Só não sei que faça da porta da torre
que dá para donde vim.




José  de  Almada  Negreiros

8 comments:

São said...

De facto, quando se ignora...estamos em paz, mas eu prefiro saber!

A foto está muito suave

Bons sonhos, Maria

Marilu said...

Querida amiga, nós duas postamos sobre o silêncio. Adorei teu poema. Tenha um lindo final de semana. Beijocas

Rua Sem Dono said...

Cor da Flor!

Que texto lindo, queria eu tê-lo escrito, mas me cabe a profunda sensação de felicidade por tê-lo lido e me emocionado tanto.

Beijos

Fernando Santos (Chana) said...

Belo poema...Espectacular....
Cumprimentos

Nilson Barcelli said...

Grande Almada...
Fizeste uma excelente escolha (como sempre).
Já há muito tempo que não o lia.
Beijos, querida amiga.

Emília Pinto e Hermínia Lopes said...

Muito lindo e profundo! Era bom que não tivessemos tantas horas para correr...que soubessemos parar para escutar o silêncio que tanto fala. É verdade que nos podem roubar tudo, mas não nos podem roubar a nossa essência, o nosso interior, a nossa alam; ou melhor...até podem, mas isso só se permitirmos e seria bom que nunca o autorizassemos. Adorei! Beijinhos e uma boa semana
Emília

Smareis said...

Lindo!
Grande poeta, não conhecia.

Gosto tanto quando a poesia se acomoda em minha pele...

Beijos e ótima semana!

Lilá(s) said...

Fazes sempre umas excelentes escolhas! é lindo o poema não conhecia, e claro adoro a suavidade da imagem.
Bjs