Olho por olho , e o mundo ficará cego .











Mahatma Gandhi








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Vi _Ver .



Friday, February 25, 2011

violetas





E no círculo da tua íris a melancolia
de um verde leve e de um lilás suave .
O teu sorriso cintilava como o oiro da penumbra
O vento da sombra despenteara-te os cabelos
e o negro ramalhete de uma madeixa esguia
pendia sobre a tua fronte pálida e indecisa .

Aproximei-me do teu rosto como uma vogal branca
e acariciei-o como se acaricia uma nascente de linho
ou uma pequena estrela limpa uma andorinha branca
e com os meus dedos soletrei-lhe todas as minúcias

mágicas .

Pronunciou então o meu nome num murmúrio de
seda
ou como um óleo da lua o meu sangue deslizou
sob uma chuva de pólen para o lábio de uma praia
entre a primavera e o outono da ternura

Minha pequena estrela que julgara perdida
erguia-se da água com os ombros esguios
e da fonte dos ventos mais suaves
como uma ânfora de linfa ou um ramo de oiro pálido
Antonio Ramos Rosa

6 comments:

Isabel Maria Rosa Furtado Cabral Gomes da Costa said...

Os grandes poetas têm o condão de nos deixar felizes depois de os lermos. Foi o que aconteceu agora comigo, após esta leitura de Ramos Rosa.
Obrigada

Marilu said...

Querida amiga, lindíssimo poema. Tenha um excelente domingo. Beijocas

Audrey Andrade said...

Que delícia!!! Perdi o ar... e as palavras!
Amei seu post. Cheio de sentimento e de ternura!

Meu carinho!
http://pequenocaminho.blogspot.com

Nilson Barcelli said...

Este poema é delicioso.
Beijos, querida Maria amiga.

Lilá(s) said...

É tão delicioso que fiquei com esta frase presa "de um verde leve e de um lilás suave" que encanto!
Beijinhos

Miguel said...

Lilaz, perdido pela net encontrei teu blog, achei-o maravilhoso, saio daqui encantado e mais leve. Voltarei mais vezes para embriagar-me de emoção. Até logo mais...