Olho por olho , e o mundo ficará cego .











Mahatma Gandhi








Saber


Vi _Ver .



Wednesday, July 25, 2012

Violetas

















Deito fora as imagens ,
Sem ti para que me servem
as imagens ?


Preciso habituar-me
a substituir-te
pelo vento ,
que está em toda a parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica .


Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta ,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis ,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu .


Serei feliz sem as imagens .
As imagens não dão
felicidade a ninguém .


Era mais difícil perder-te ,
e , no entanto , perdi-te .


Era mais difícil inventar-te ,
e eu te inventei .


Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti .


E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz .





Raul  de  Carvalho

Sunday, July 22, 2012

Alfazema






















Os dias sem ninguém
pequeníssimos recados escritos à pressa
amachucados nos dedos  . . . 


         foi bela a madressilva

         subindo pela noite da morada esquecida   .






Al   Berto

Friday, July 20, 2012

Violetas

















Não me peçam razões , que não as tenho ,
Ou darei quantas queiram  . . .bem sabemos
Que razões são palavras , todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos .

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito ,
Este estar mal no mundo e nesta lei  . . .
Não fiz a lei e o mundo não aceito .

Não me peçam razões , ou que as desculpe ,
Deste modo de amar e destruir . . .
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir . . .





José   Saramago

Friday, July 13, 2012

Alfazema






















Tapas  os  caminhos  que  vão  dar  a  casa
Cobres os vidros das janelas
Recolhes os cães para a cozinha
Soltas os lobos que saltam as cancelas .

Pões guardas atentos espiando no jardim
Madrastas nas histórias inventadas ,
Anjos do mal voando sem ter fim ,
Destróis todas as pistas que nos salvam .



Depois secas a água e deitas fora o pão ,
Tiras a esperança  ,
Rejeitas a matriz  ,

E quando já só restam os sinais  ,
Convocas devagar os vendavais . 




Maria Teresa Horta

Friday, July 06, 2012

Violetas















Felizmente
as   palavras   ás  vezes   também   diminuem .
O   mar ,  por   exemplo ,
para   caberem   nele  os   náufragos   e   os   rios .




José  Gomes  Ferreira