Olho por olho , e o mundo ficará cego .











Mahatma Gandhi








Saber


Vi _Ver .



Saturday, June 30, 2012

Alfazema

















Dai - nos , meu Deus ,
um    pequeno   absurdo  quotidiano que   seja ,
que  o   absurdo   ,  mesmo   em   curtas   doses   ,
defende   da   melancolia  ,
e
nós   somos   tão   propensos   a    ela  !


Alexandre  O´Neill

Friday, June 22, 2012

Violetas

















Creio nos anjos que andam pelo mundo ,
creio na deusa com olhos de diamante .
Creio em amores lunares com piano de fundo ,
Creio nas lendas , nas fadas , nos atlantes .
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes .
Creio que tudo é eterno num segundo .
Creio nun céu futuro que houve dantes . 
Creio nos deuses de um astral mais puro ,
creio na flor humilde que se encosta ao muro ,
creio na carne que enfeitiça o além .
Creio no incrível , nas coisas assombrosas ,
Na ocupação do mundo pelas rosas ,
Creio que o amor tem asas de ouro .
 Amém.




Natália  Correia

Friday, June 15, 2012

Alfazema






















Quando  estendia  a  mão 
para  um  fruto  na  árvore ,
era  como  se  sem  pudor  ,  procurasse
     o   centro   da   Terra .




Fiama   Pais  Brandão

Saturday, June 09, 2012

Violetas




















As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros .
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores .
Os pássaros começam onde as árvores acabam .


Os pássaros fazem cantar as árvores .




 Ruy Belo

Thursday, June 07, 2012

Alfazema


















Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
/
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra





Sophia de Mello Breyner 

Friday, June 01, 2012

violetas


















A rectidão  da  água ,
/
o laço , mesmo , das  portas  só
entre

abertas ,  onde  a  luz
silenciosa  se  demora .

São  memórias , decerto , de  um anterior
esquecimento , uma  inocente
fadiga  das  coisas ,

como  os   corpos  calados , abandonados
na  véspera  da guerra , o  teu
jeito  para

o desalinho  branco  das  palavras ,
altas  as
asas  de   nuvens no clarão do céu

em  vão  rigor  abrindo
o  destinado  enigma ...  assim
desconhecer-te  cada  dia  mais

ausente  de  recados  e  colheitas ,
em  assustado  bosque,  em  sombra
clareira ,

ao risco dos rios frívolos descendo
seixos polidos , desinscritos ,
imóveis movendo

a  luz  do  dia ...
a  margem  recortada , aonde  vivem
ausentes  e  seguros , os luminosos
animais  do  inverno .


Assim  são  na  verdade  os  muros claros ,
assim  respira  o  tempo , a  terra intensa.





António Franco Alexandre