Olho por olho , e o mundo ficará cego .











Mahatma Gandhi








Saber


Vi _Ver .



Saturday, February 27, 2010

Violetas .



Desejo, como quem sente fome ou sede,
um caminho de areia margeado de boninas,
onde só cabem a bicicleta e seu dono.

Desejo, como uma funda saudade
de homem ficado órfão pequenino,
um regaço e o acalanto, a amorosa tenaz de uns dedos
para um forte carinho em minha nuca.
Brotam os matinhos depois da chuva,
brotam os desejos do corpo.
Na alma, o querer de um mundo tão pequeno,
como o que tem nas mãos o Menino Jesus de Praga.

Adélia Prado .

Saturday, February 20, 2010

Alfazema .


Partido ,
é uma parte ,
,

inteiro !


Agostinho da Silva .

Saturday, February 13, 2010

Violetas .



Quando fui ferida,
por Deus, pelo Diabo, ou por mim mesma ,
_ ainda não sei _
percebi que não morrera , após três dias ,
ao rever pardais e moitinhas de trevo .

Quando era jovem,
só estes passarinhos,
estas folhinhas bastavam
para eu cantar louvores ,
dedicar óperas ao Rei.
Mas um cachorro batido
demora um pouco a latir ,
a festejar seu dono
_ ele , um bicho que não é gente -
tanto mais eu que posso perguntar _
Por que razão me bates?
Por isso , apesar dos pardais e das reviçosas folhinhas
uma tênue sombra ainda cobre meu espírito.
Quem me feriu perdoe-me.


Adélia Prado .

Saturday, February 06, 2010

Alfazema .




Afirmas que brigámos. Que foi grave.
Que o que dissemos já não tem perdão.
Que vais deixar aí a tua chave
e vais à cave içar o teu malão.
Mas como destrinçar os nossos bens ?
Que livro? Que lembranças? Que papel ?
Os meus olhos, bem vês , és tu que os tens.
Não te devolvo - é minha! - a tua pele.
Achei ali um sonho muito velho,
não sei se o queres levar , já está no fio.
E o teu casaco roto , aquele vermelho
que eu costumo vestir quando está frio ?

E a planta que eu comprei e tu regavas ?
E o sol que dá no quarto de manhã ?
É meu o teu cachorro que eu tratava ?
É teu o meu canteiro de hortelã ?

A qual de nós pertence este destino ?
Este beijo era meu? Ou já não era ?
E o que faço das praias que não vimos?
Das marés que estão lá à nossa espera?

Dividimos ao meio as madrugadas?
E a falésia das tardes de Novembro?
E as sonatas que ouvimos de mãos dadas ?


De quem é esta briga ? _ Não me lembro _ .


Rosa Lobato Faria